terça-feira, 14 de abril de 2020

Cristão e política



Queridos, faz um bom tempo que não posto algo aqui, mas me vejo na necessidade diante da situação pelo qual nosso país está passando no tocante à política. Vejo alguns cristãos tomando certas atitudes pertinente a política e me pergunto “o que Jesus faria? ”. Essa pergunta tem deixado de ser realizada pela maioria dos cristãos, infelizmente, motivo pelo qual os cristãos se mete em cada enrascada. Enfim, partindo do pressuposto de que somos discípulos de Cristo é certo afirmar que Cristo é o nosso modelo exemplar a ser seguido. A Bíblia está repleto de mensagens afirmando que quem é de fato um cristão o segue em os aspectos da vida, pois isso significa ser cristão de fato. Em (Gn 17.1) está escrito: “...Eu sou o Deus todo-poderoso; anda na minha presença e sê perfeito”. Caminhar com Deus vai além de pertencer a uma denominação, é muito mais do que ser um santarrão, ou viver enfurnado em um templo, envolver em várias atividades criada pelo sistema religioso, mas é andar com Cristo. O objetivo de Deus é nos ligar a Cristo e nos tornar semelhantes a Ele. Vejamos o que está muito claro em (Rm 8.29) “Porquanto aos que antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes a imagem de seu Filho”. Ninguém se torna um cristão simplesmente porque se declara “eu sou um cristão” não, mas sim, porque se torna um imitador de Jesus, e não é algo que depende exclusivamente de Deus, e sim, de cada um de nós todos os dias querer, ter força de vontade de imita-lo em nossas atitudes diárias. Visto que Cristo é o nosso exemplo a ser seguido, o que Ele nos diz no tocante a política? Veja o que os Evangelhos relatam sobre Jesus.

Separei alguns tópicos:

·         Podemos notar que Cristo quando habitou entre nós em nenhum momento deixou rastros em suas atitudes que iria participar pessoalmente em luta de gênero, de classes, de etnias, de religião, e de inclusive política partidária. E olha que na sua época havia a existência política de Roma e de César, onde Ele poderia muito bem profetizar sobre o fim deles, mas preferiu não o fazer. E sim, falando do fim de Jerusalém, pois para Ele (Cristo) o tema geopolítico era Jerusalém e o mundo, não Roma e o mundo;
·         Cristo ao enviar os seus discípulos ao mundo, não os autorizou a fazer política partidária em seu nome. Pelo contrário o envio ao mundo é para viver o Evangelho, e o nome de Jesus só deve ser proferido como alicerce de nossas ações nas coisas nas quais Ele (Cristo) mesmo fez como manifestação do Seu nome sobre as pessoas;
·         Ele (Cristo) deixou claro também que seus seguidores devem ser engajados em tudo quanto diga respeito a vida em sociedade, pois, isto é ser o sabor dessa terra, e que todo esse engajamento seja ele social ou político sejam feitos em nome do homem, pelo homem e para o homem, pois basta a nós homens amar ao próximo como a nós mesmos;
·         Que utilizar o nome de Cristo a fim de justificar mesmo as boas causas, nunca nos deu único e duradouro exemplo de que o nome dEle não tenha logo sido manipulado, usado, ideologizado, ou transformado em algo fixo como um ídolo qualquer;
·         Como também não sendo o reino de Cristo deste mundo, cabe aos discípulos levar/buscar o reino no mundo, como vida e oração. Entretanto, sabendo que a inserção do reino no mundo se dá a partir da existencialidade, posto que o reino de Deus está em nós, não tendo sede visível em lugar algum, mas tão somente nas manifestações de justiça, amor e verdade entre os homens;
·         Que sempre que os seguidores de Cristo vivem em amor e integridade o mundo vê, e isso nada tem a ver com transformar o Evangelho num programa partidário;
·         Sabemos que existem várias vocações e a política é uma delas. Entretanto, Cristo nunca concordaria que é somente ou principalmente pela via política que se pode fazer o bem social no mundo. E, na maioria das vezes, o mais ineficaz quanto a realizar o bem ao próximo;
·         A ênfase de Cristo é na ação que é notório e se compadece. Como foi com Ele mesmo, como foi com os discípulos em Atos, como foi o ensino do apóstolo Paulo, Tiago e João. É coerente que quem vê, aja. E quem pode, faça. E quem tem, dê. E quem sente, realize. Sem Deus como ideologia política ou como motivo teológico para ação. Sem saberem que quem ama ao homem pelo homem, ama a Deus no homem;
·         Que a rejeição de Cristo em relação ter os poderes deste mundo pela via política denuncia a política como tentação do diabo buscando ofuscar a simplicidade do amor que age;
·         Como também a ressurreição deu a Cristo todo o poder nos céus e na terra, entretanto, Ele (Cristo) escolheu operar pelo Espirito e pelo amor, e, vocalmente pela pregação do Evangelho;

Portanto jamais, como cristão, podemos usar o Evangelho para falar ou agir em nome de Cristo na política, pois Ele mesmo não fez, nem de longe. NEle, que disse: “O meu reino não é deste mundo; se fosse...” – não seria o que será, Pedro Neto.   

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